Governor of Amapá Talks Green Development in Brazil

Still largely covered by intact forests, the state of Amapá in the Brazilian Amazon has been making great strides in sustainable development. CI-Brazil has been working with Amapá for the past 12 years, and has supported the protection of some 15 million hectares (37 million acres) of forest in the state — 3/4 of the state’s territory.

CI has been aiding this process through technical and financial support for more than a decade; Patricia Yakabe Malentaqui caught up with Amapá Governor Camilo Capiberibe on his recent visit to Washington, D.C. Scroll to the bottom of the post to read it in Portuguese.

Camilo Góes Capiberibe receives award from Conservation International

CI’s Russ Mittermeier and Andre Guimaraes presented the Global Conservation Hero Award to Camilo Góes Capiberibe (right), governor of Amapá, at an event earlier this year in Rio de Janeiro. (© Cauê Diniz)

How is the cultivation of the Amazon native berry açaí an example of green development in Amapá?

Açaí is a fundamental product of the culture of the people of the Amazon as a whole, and of Amapá in particular. We eat açaí every day, so it is important, first of all, for feeding the Amazon population.

In recent years, it has become a very important product for our economy. In our state, açaí generates US$ 250 million annually, and generates thousands of jobs in its supply chain — from harvesting to transportation, processing and sales. Its impact on the economy is huge today.

In order for açaí to grow, it needs the forest, so cultivating açaí is also a way to conserve the forest and the ecosystem where it is found. The açaí tree also provides hearts of palm, which are consumed all over the world. Therefore, açaí is a very important product. Its cultivation and harvesting are good for the economy, good for people and good for the forest, all at the same time.

How can the international community help support a green development path rather than a destructive one in the Guiana Shield [a vast, largely forested area encompassing much of northern South America]?

In Amapá, 73% of our forests are protected by law at varying degrees, and we have a population of 700,000 people. The work of conserving the forest is not done by one or another individual. It belongs to the entire community who lives off and respects nature. If we are to safeguard the conservation of the forest in the future, it must be understood that humanity developed at the expense of its natural wealth and the biodiversity of the entire world.

In order for us to continue to conserve the forest, it must be recognized that conservation is a service that is being paid to humankind. It is a fundamental service which helps to combat climate change, helps to preserve the development potential of thousands of products that are not even known yet — products that are inside the forest and can be in the future, such as the cure to a rare disease.

Amapá State Forest, Brazil

Amapá State Forest, Brazil. (© Adriano Gambarini)

To conserve the forest is not an easy job. We need the international community to recognize that, so that we can put a value on this service. Today, there is not yet a way to measure the effort that is being made by the people of Amapá and other people who are undertaking the work of protecting nature. This is an important message: let’s put a value on this service. Otherwise, it will be difficult for us to face the mounting pressure that exists.

Capitalism puts pressure on our natural wealth — the pressures are huge … We are doing this work by ourselves. We will continue to do this work by ourselves, but if the international community realizes this, it can fulfill its role and safeguard the future of the forest and the future of the Amazon.

What is the role of nature in the Sustainable Development Goals currently being developed by the United Nations?

Nature has a central role in people’s lives. Without nature, we cannot continue to exist on Earth. To put nature at the core of human development is a fundamental starting point to change the way people perceive nature.

The world has changed. Today, sustainability and nature’s wealth are seen as indispensable for our future. I mean our future as humankind, not only as a people located in the Amazon or in Brazil. Everyone knows about this, but it is important to reaffirm this with more clarity because today’s economic downturn and unemployment in developed countries causes the environmental agenda to be put on the back burner.

This cannot happen. Nature must be on the table all the time, because the responsibility to safeguard the future of the planet will continue to exist in times of crisis or not. So, when the United Nations does that, it is very important. To fight poverty and foster human development with environmental sustainability is the only way forward for us.

If you overcome those challenges and achieve your vision of success, how would you like your state to be known by the world?

I want Amapá to be known as an example for the implementation of a pilot program for sustainable development for the Amazon, for Brazil and the world.

Our forests are practically intact; they are extremely rich, and we believe that the history of Amapá is conservation with development. It’s production for conservation. It’s not about having forests for the sake of having forests. It’s about having forests while improving people’s lives and preserving them for the future. This is the message that Amapá brings to Washington and the international community. This is how we want to be seen: as a people who want to develop while simultaneously respecting nature.

Patricia Yakabe Malentaqui is CI’s senior media manager.

Leia a versão em português abaixo.

Ainda coberto por florestas intactas, o estado do Amapá na Amazônia brasileira tem dado passos enormes em direção ao desenvolvimento sustentável. A CI-Brasil trabalha com o governo do Amapá há 12 anos e tem apoiado financeiramente e tecnicamente os seus esforços para proteger cerca de 15 milhões de hectares (37 milhões de acres) de floresta, equivalente a 3/4 do território do estado.

Nossa assessora de imprensa, Patricia Yakabe Malentaqui, teve a chance de conversar com o governador do Amapá, Camilo Capiberibe, durante uma visita recente a Washington, D.C.

Como o cultivo de açaí é um exemplo de desenvolvimento verde no Amapá?

Em primeiro lugar, o açaí é um produto fundamental da cultura do povo da Amazônia e do Amapá, em particular. Nós comemos acai todos os dias, então a importância primeira dele é alimentar a população da Amazônia. Mas, de alguns anos para cá, o açaí virou um produto muito importante para a nossa economia. O açaí movimenta anualmente só no estado do Amapá US$ 250 milhões e gera milhares de empregos em toda a sua cadeia produtiva. Desde o momento em que você apanha o açaí no meio da floresta, o transporte, a revenda e a industralização. Ele tem um impacto enorme na economia hoje.

O açaí, para poder existir como um produto, ele precisa da floresta. Quando você explora o açaí, é uma maneira também de se preservar a floresta e ecossistema onde ele acontece em particular. Além do que, o açaí também dá um produto que é muito consumido no mundo inteiro, que é o palmito. Então, o açaí é inteiro um produto importante. A indústria do açaí, a agricultura, o extrativismo do açaí é, ao mesmo tempo, bom para a economia, bom para as pessoas e bom para a floresta.

Como a comunidade internacional pode ajudar a apoiar um modelo de desenvolvimento verde, em vez de destrutivo, no Escudo das Guianas [uma ampla região de florestas cobrindo grande parte do Norte da América do Sul]?

No Amapá, 73% das nossas florestas são protegidas por lei, em maior ou menor grau. E nós temos uma população de 700 mil habitantes. O trabalho de preservar a Amazônia não é de uma pessoa ou de outra, é de toda essa comunidade que vive e respeita a natureza. Para nós podermos garantir essa preservação no futuro, é preciso compreender que a humanidade se desenvolveu ao preço da destruição das riquezas naturais e da biodiversidade do mundo inteiro.

Para nós podermos continuar preservando, é preciso reconhecer que preservar é um servico que esta sendo prestado para a humanidade. É um serviço fundamental que combate as mudanças climáticas, que ajuda a preservar o potencial de desenvolvimento de milhares de produtos que nem são conhecidos ainda, que estão la dentro da floresta e que podem no futuro ser, por exemplo, a cura para uma doenca rara.

Preservar isso não é fácil. Isso precisa ser reconhecido pela comunidade internacional para que nós possamos ter a valoração clara disso. Hoje não tem uma maneira de medir o esforço que está sendo feito pela população do Amapá e por outras populações que preservam o trabalho da preservacao. Esse é um importante recado: vamos enxergar o que vale isso e vamos valorizar, porque senão vai ser difícil sustentar a pressão que existe.

O capitalismo pressiona a nossa riqueza natural. As pressões são muito grandes. Nós estamos fazendo isso sozinhos. Podemos continuar e vamos continuar tentando fazer isso sozinhos, mas acho que se a comunidade internacional perceber isso, ela pode ajudar e cumprir o seu papel para garantir o futuro da floresta, da Amazônia.

Qual é o papel da natureza nas Metas de Desenvolvimento Sustentáveis que estão sendo formuladas atualmente pelas Nações Unidas?

A natureza tem um papel central na vida das pessoas. Sem a natureza, a gente não vai continuar existindo na Terra. Colocar a natureza como foco fundamental do desenvolvimento humano é um ponto de partida fundamental para mudar a maneira como as pessoas percebem a natureza.

O mundo mudou. Hoje, a sustentabilidade e as riquezas naturais são enxergadas como imprescindíveis para o nosso futuro. Futuro como humanidade, não apenas como um povo localizado na Amazônia, no Brasil. Todo mundo sabe da importância, mas é preciso reafirmar isso com mais clareza porque a situação que vive hoje a economia mundial de retração, de desemprego, de dificuldade nos países mais desenvolvidos faz com que a agenda ambiental saia do primeiro plano.

E ela nao pode sair. Ela tem que estar em cima da mesa o tempo todo, porque a responsabilidade de garantir o futuro do planeta vai continuar existindo, seja na hora da crise ou não. Então quando as Nações Unidas fazem isso é muito importante. Combater a pobreza e desenvolver o ser humano com sustentabilidade e o único caminho que a gente tem a seguir.

Se o senhor superar esses desafios e alcançar a sua visão de sucesso, como gostaria que o seu Estado fosse conhecido pelo mundo?

Eu quero que o Amapá seja conhecido como um exemplo para a implementação de um programa piloto de desenvolvimento sustentável para a Amazônia, o Brasil e o mundo.

Nossas florestas são praticamente intactas, são extremamente ricas, e nós acreditamos que a historia do Amapá é conservação com desenvolvimento. É produção para conservação. Não é ter floresta por ter floresta. É ter floresta, melhorando a vida das pessoas e preservando para o futuro. Essa é a mensagem que o Amapá traz para Washington e a comunidade internacional. É assim que nós queremos ser vistos: como um povo que quer se desenvolver respitando a natureza.

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